sexta-feira, 15 de junho de 2007

Porque "Calça"?

Achei que precisava e criei um pseudônimo. Isso faria de mim o que sozinho não aconteceria, acreditei. Cabia na minha mão, soube lidar com ele e me deixava bem feliz. Ele dizia o que queria, era mais preciso, debatia melhor, tinha uma revolta constante e divertida. A medida que foi crescendo eu percebia como éramos diferentes, eu mais fraco e inclinado a mudar de idéia, ele decidido, até teimoso, do tipo que bate na mesa, que aponta, que escarnece. Se me cumprimentavam dizendo o nome dele, me incomodava, mas não a ele. Nada o incomodava. As pernas dele me levavam aos bares, era o sorriso dele para as garotas, as palavras deles, mas era eu sozinho depois de dez minutos, e se me apaixonava ele ria, se sofria ele me humilhava. Se ele escolhia as roupas era bom, se eu escolhia era brega. Quem não odiava ele, amava. Quem esquecia meu nome, lembrava o dele. Eram as mãos dele no teclado do computador, eu - ouvindo música. Era a voz dele ao telefone chamando para vir dar na cara dele se não gostavam de suas colunas, eu - vendo TV. Era de um simplismo e tanto, provocando sem motivo real: “gente boa” era boa até errar, “gente ruim” era ruim até encontrar Jesus e virar só “gente chata”.Não queria deixar as visitas desconfortáveis, mas como calá-lo? Mandar ser menos “ele”? Troquei a fechadura, mas ele entrava comigo, furtivo. Não aguentei. Joguei umas roupas na mochila umas 3 da manhã, enquanto ele falava ao telefone com uma garota que conheceu bêbado e dia seguinte deixou na minha cama. Corri até um caixa 24 horas, rapelei minha conta e em pouco tempo estava em um ônibus pra Floripa. Devo dizer que tem dias que seria bom tê-lo perto, mas, sendo prático, não quero nem ouvir falar de novo no nome inventado daquele cara. Cobra criada.

Assim surgiu o Calça.
Ou é isso o que eu deveria dizer quendo me perguntam "Porque 'Calça'?", mas não sei mentir.

C.

1 comentários:

gabriela disse...

Não foi preciso odiar nada nem ninguém... e ainda assim ficou perfeito.

Calça...hummm???? Pra mim Rafael, sempre!